RCP no afogado

AFOGAMENTO é um processo fisiológico de aspiração de líquido não corporal por submersão ou imersão, que pode conduzir a hipóxia (falta de oxigênio nos tecidos) e a parada cardíaca. O afogamento pode ser fatal (quando há morte) e não fatal (quando a vítima sobrevive com ou sem sequelas), podendo ser interrompido e não levar à morte. Evitável em 99% das vezes, a cura do incidente afogamento é a prevenção, sempre.

RESGATE é a pessoa resgatada da água sem sinais de aspiração líquida. JÁ CADÁVER é a morte por afogamento sem chances de iniciar ressuscitação comprovada por tempo de submersão superior a 1 hora ou sinais evidentes de morte.

O objetivo da RCP é manter um fluxo sanguíneo adequado para o coração e para o cérebro, enquanto aguarda-se a realização de medidas terapêuticas mais eficazes, restabelecendo rapidamente a circulação espontânea, com o menor tempo possível de hipóxia cerebral, para que haja preservação, da forma mais completa da função cerebral.

Classificação do Afogamento:

  • Grau 1: a vítima só tosse e pode ser liberada do local;
  • Grau 2: a vítima tem pouca espuma na boca e/ou nariz;
  • Grau 3: a vítima apresenta muita espuma na boca e/ou nariz e tem pulso radial;
  • Grau 4: a vítima apresenta muita espuma na boca e/ou nariz sem pulso radial;
  • Grau 5: se encontra em parada respiratória;
  • Grau 6: se encontra em parada cardiorrespiratória.

RCP

  • Diferente da RCP tradicional, as tentativas de RCP no afogado devem continuar por, no mínimo, uma hora após o início, devendo ser iniciada mesmo que a vítima tenha ficado até uma hora na água sem respirar.
  • O Suporte Avançado de Vida deve estabilizar o paciente no local e não encaminhar ao hospital imediatamente.

O que fazer (profissionais ou leigos com treinamento)

  • Interrompa o processo de afogamento imediatamente, fornecendo flutuação e evitando a submersão;
  • Realize dez ventilações na vítima ainda na água, desde que haja condições de execução dessa manobra;
  • Após, retire a vítima da água e a coloque em uma superfície plana e dura, realizando mais cinco ventilações;
  • Inicie o RCP. Se disponível, conecte o DEA, apesar de o afogamento ter causa fisiológica em asfixia e hipóxia com normalmente ritmo em assistolia, o DEA deve ser utilizado em todas as vítimas em PCR, lembrando que nos afogados secundários há a chance de ter sido devido a uma patologia cardíaca ou cerebral;
  • Para um socorrista a RCP é de 30 x 2 em vítimas de todas as idades. Para dois socorrista 15 x 2;
  • No grau 6 pode ocorrer a encefalopatia anóxica e a prioridade no afogado seriam as ventilações com oxigenação.

Deve-se manter as tentativas até a chegada do Suporte Avançado de Vida. Temos casos no Brasil de vítimas que ficaram submersas de 26 a 56 minutos e após uma hora de RCP houve sucesso nas manobras com RCE (Retorno de Circulação Espontânea). Segundo a Organização Mundial de Saúde estima-se que 0,7% de todas as mortes no mundo – ou mais de 500 mil mortes a cada ano são devido a afogamento não intencional, no Brasil temos 16 mortes por dia por afogamento.

*SubTenente BM Juliano de Figueiredo Silvério Alves CBMMG, Enfermeiro Especialista em Urgência/Emergência e APH, Instrutor SOBRASA e Instrutor LifeGuard NAUI.