Corrente do Desfibrilador Externo Automático

A forma como funciona um DEA ainda é dúvida para muito provedor de SBV. O DEA é um aparelho eletrônico portátil que diagnostica e trata a PCR com FV (em que o coração tem atividade elétrica mas sem efetividade mecânica) ou TVSP (em que há atividade elétrica e neste caso o bombeamento sanguíneo é ineficaz), restabelecendo um ritmo cardíaco efetivo elétrico e mecanicamente. A desfibrilação consiste em emitir um impulso de corrente contínua ao coração, despolarizando simultaneamente todas as células miocárdicas, podendo retomar seu ritmo elétrico normal ou eficaz. A FV é a causa mais frequente de morte súbita.

A eletricidade é um fluxo de elétrons chamado corrente e é expressa em ampéres (amps); a força que movimenta os elétrons é medida em volts (V), a oposição ou resistência ao fluxo de elétrons é chamada de impedância; impedância refere-se à resistência ao fluxo da corrente; um ohm é a unidade de medida da impedância; alguns fatores afetam a resistência transtorácica, como o tamanho da pá/eletrodo, a posição da pá/eletrodo, a utilização de material condutor, a fase de respiração do paciente, a pressão das pás e a energia selecionada; um Joule é o montante de energia elétrica despendido por uma corrente de um ampére fluindo durante um segundo através da resistência de um ohn; o desfibrilador irá aplicar um impulso elétrico de onda bifásica ou monofásica ao peito do paciente que tem em média uma impedância torácica de 50 ohm; apesar de a energia selecionada para a desfibrilação ser expressa em joules, é a corrente que fornece energia ao paciente e despolariza o miocárdio e em alguns DEAs de 5 a 15 segundos a bateria recarrega retendo a carga por cerca de 30 a 60 segundos dependendo do modelo, mas a energia armazenada difere da energia aplicada; o choque varia em média de 2 a 3 joules por kg de peso da vítima que em média seria de 50 J para criança e de 170 J a 200 J para adultos que em um adulto por exemplo seria um choque aproximado de 2.600 V. Temos de verificar também a questão da impedância torácica, então no primeiro choque no adulto, como tem de vencer a impedância torácica teríamos “teoricamente” o primeiro choque de 150 J e os outros de 200 J se necessários, no caso do DEA, podemos ter variações devido a impedância.

Os cardioversores antigos de onda monofásica utilizavam corrente alternada. Os fabricantes da Philips, Cmos Drake e Zool reafirmam o uso da corrente contínua nos seus equipamentos de DEA e esclarecem que todos devem ler o manual antes da operação para conhecerem o equipamento.

Corrente Alternada: Nesse tipo de corrente, o fluxo de elétrons que carrega a energia elétrica dentro de um fio não segue um sentido único. Essa variação é fundamental, pois os transformadores que existem numa linha de transmissão só funcionam recebendo esse fluxo de elétrons alternado. Dentro do transformador, a voltagem da energia transmitida é aumentada, permitindo que ela viaje longe, desde uma usina até a sua casa.

Corrente Contínua: Aqui o fluxo de elétrons passa pelo fio sempre no mesmo sentido. Como não há alternância, essa corrente não é aceita pelos transformadores e não ganha voltagem maior. Resultado: a energia elétrica não pode seguir muito longe. Por isso, a corrente contínua é usada em pilhas e baterias ou para percorrer circuitos internos de aparelhos elétricos, como um chuveiro. Mas ela não serve para transportar energia entre uma usina e uma cidade.

A corrente contínua é menos perigosa que a corrente alternada. O carregador de bateria dos DEA que possuem bateria re-carregável, podem ser de corrente contínua ou corrente alternada. Os cardioversores com níveis de energia programados pelo médico utilizam desde CC ou CA sendo a CA comum. Em 1954, Paul M. Zoll relatou o uso de corrente elétrica alternada indiretamente através do tórax com sucesso, iniciando o principio do uso dos marcapassos transcutâneos. Bernard Lown provou em 1962 que o uso da corrente contínua era superior nas desfibrilações e iniciou os princípios da cardioversão elétrica no tratamento das arritmias.

Existem 3 tipos de ondas de desfibrilação, monofásica, bifásica e trifásica/quadrifásica (que aplica choque multi-direcional). A primeira configuração de onda bifásica para uso em um DEA foi aprovada nos EUA em 1996. A configuração de onda bifásica exponencial truncada (BET) com compensação de impedância foi incorporada a um DEA que aplicava choques não crescentes de 150J. Nas ondas bifásicas, a energia é aplicada em duas (bi) fases. A corrente flui em uma direção por um período determinado, cessa e então passa pelo coração uma segunda vez em direção oposta por um período muito curto (milissegundos). As ondas bifásicas incluem as versões bifásicas exponencial truncada, retilíneas, bifásicas e pulsáteis.

Os dados indicam que os choques com configurações de ondas bifásicas com energia relativamente baixa (menor de 200J) são seguros e têm uma eficácia equivalente maior para o término da FV quando comparados com aqueles de configuração monofásica. Conforme  a Declaração do Comitê de Emergências Médicas da American Heart Association existem evidências e estudos em seres humanos que demonstram que choques de baixa energia são seguros, aceitáveis e clinicamente efetivos.

A corrente do DEA é contínua, tem polo + e -, se o operador inverte os eletrodos inverte também o sentido de início do choque e diminuí a qualidade do choque; o ideal é que siga o manual, o choque tem de começar de cima passando ao Feixe de Hiss que é uma coleção de células musculares cardíacas especializadas em condução elétrica que transmitem impulsos elétricos que vêm do nodo atrioventricular. Segundo os fabricantes, devemos posicionar as pás conforme o manual.

Por: Enf. Juliano de Figueiredo Silvério Alves

Ref.:

  • HEARTSTART, Desfibrillators Philips, 3ª Ed. North America, 2007
  • CURRENTS, in Emergency Cardiovascular Care, ECC Vol 16 n˚ 4, SP Brasil, 2006
  • AMERICAN HEART ASSOCIATION, SBV para Provedores de Saúde, Prous Science SP, 2006
  • ZOLL, Medical Advancing Resuscitation, USA, 2006
  • TIMERMAN, Sergio Desfibrilação Precoce, reforçando a corrente de sobrevivência, Atheneu,SP, 2000
  • TIMERMAN, Sergio Desfibrilação Precoce, papel dos DEAs no aumento de sobreviventes a PCR, Atheneu, SP, 1998
  • AMERICAN HEART ASSOCIATION, Suporte Avançado de Vida em Cardiologia, Dallas, 1997
  • EISENBERG, M.S. Scientific American Brazil Special Vol 07 SP, 1997